Monday, December 4, 2017

The passionate state of mind

We can see through others only when we see through ourselves. Lack of self-awareness renders us transparent; a soul that knows itself is opaque.


[…]


To become different from what we are, we must have some awareness of what we are… Yet it is remarkable that the very people who are most self-dissatisfied and crave most for a new identity have the least self-awareness. They have turned away from an unwanted self and hence never had a good look at it. The result is that those most dissatisfied can neither dissimulate nor attain a real change of heart. They are transparent, and their unwanted qualities persist through all attempts at self-dramatization and self-transformation.


Our lack of self-awareness, Lee argues, makes us look to others to tell us who we are. (Learning not to do that is one of life’s hardest, most important lessons.) He considers the perilous yet profoundly human impulse for conformity:


We have more faith in what we imitate than in what we originate. We cannot derive a sense of absolute certitude from anything that has its roots in us. The most poignant sense of insecurity comes from standing alone; we are not alone when we imitate. It is thus with most of us! We are what other people say we are. We know ourselves chiefly by hearsay.


Echoing Anaïs Nin’s memorable meditation on character and personal responsibility, Lee points out that this tendency is what dogma preys on:


There is a powerful craving in most of us to see ourselves as instruments in the hands of others and thus free ourselves from the responsibility for acts that are prompted by our own questionable inclinations and impulses. Both the strong and the weak grasp at the alibi. The latter hide their malevolence under the virtue of obedience; they acted dishonorably because they had to obey orders. The strong, too, claim absolution by proclaiming themselves the chosen instrument of a higher power — God, history, fate, nation, or humanity.

...is it possible, in one of the world’s leading democracies, to enjoy fundamental human rights such as political participation or voting rights if you are unable to meet basic living standards, let alone engage, as Thomas Jefferson put it, in the pursuit of happiness?

Thursday, March 23, 2017

"You're so quiet, keep everything to yourself. You have love in you. I know it. When I'm with you, I forget everything else."

Tuesday, February 21, 2017

"Real life is so hard to find. Where is it? How do you get there? Get out of the big cloud of dust everybody's kicking up. The only way out is in. Breathe. Your mind is a theater. I say try it all."

Friday, January 27, 2017

It's been so long.
This morning I could no longer recall the taste of your eyelids
(can you believe it?)
and it broke my heart
all over again
Maybe you're no longer real
(were you ever?)
Love, why don't you come?
Let me at least kiss you goodbye

Appear again on my doorstep
all dramatically in love,
(like you used to)
and bring melissa tea,
will you?
I will listen faithfully about
all of its health benefits to my kidneys
because that's better than a thousand 'I love you'
(I know it now)
but then ask me to marry you,
will you?

Let's name our children after the shades of blue.
I'll forget everything,
and lull you to sleep.
With your favorite tune.

Friday, January 13, 2017

Tarkovsky's advice to young people

Learn to love solitude, to be more alone with yourselves. The problem of young people is their carrying out noisy and aggressive actions not to feel lonely. And this is a sad thing. The individual must learn to be on his own as a child, for this doesn't mean to be alone: it means not to get bored with oneself which is a very dangerous symptom, almost a disease.

Thursday, January 5, 2017

Da Fidelidade

Vestida de preto numa chaise-longue, a meia luz vermelha. Já com um cigarro aceso e com um copo de vinho tinto na mão. Enquanto fala vai lentamente aproximando-se, bêbeda, de alguém no público. Maquilhagem desfeita, baton repassado, rimel desfeito. Tem tanto de sensual como de magoada. O texto é dito a alguém no público, a quem seduz e interpela.

Era isto que querias, não?

As insinuações em cada comentário, os teus olhares lascivos para um corpo que passava, a ideia de que ter outro corpo entre os nossos seria romântico, uma consumação do amor que temos um pelo outro. Porque o outro corpo seria sempre outro corpo, não comos os nossos, não como o amor (ah, o amor, o amor), não como o amor que sentiamos, um corpo para ser usado, para violarmos conscientemente, para fugirmos a essa rotina que os outros casais têm mas nós nunca teriamos.

Chegar a casa cansado, cozinhar, comer em silêncio, encher os pratos em silêncio, olhar a televisão acesa em silêncio, perguntar em silêncio “Está bom?”, “Queres mais?”, “Como foi o teu dia?”, repetir a dose em silêncio, dizer em silêncio que já a semana passada comemos isto, combinar em silêncio o que vamos comer amanhã, o que jantamos amanhã, que compras faremos amanhã, que repetição amanhã, levantar os pratos em silêncio, lavá-los em silêncio, recostar no sofá em silêncio, comentar um programa que vemos em silêncio como se não fôssemos o tipo de pessoas que vê aquele tipo de programas e muito menos o tipo de pessoas que acredita em pessoas-tipo, deitar em silêncio, em silêncio negar o sexo porque cansados, em silêncio um falso carinho, em silêncio não ser nenhuma dessas pessoas que já não têm nada para dizer.

Era para evitar isto, certo? Era por sermos diferentes que olhavas lânguidamente os longos cabelos lascivos, à noite, em bares que frequentavas antes de estarmos juntos, a reencontrar corpos que tinhas percorrido antes de me conheceres.

Era pelo amor que me dizias ao ouvido, com ou sem mo lamberes, que bem as minhas pernas ficariam entrelaçadas nas dela, que belo o meu corpo nu em lençois purpura se ela se juntasse a nós numa noite, que poético os dois a usarmos o corpo dela, a movermo-nos sincronamente em direcção ao orgasmo um do outro. E elas no meio, corpos usados, claro. Não que os quisesses, não que estivesses farto do meu, não que te excitassem aqueles decotes exageradamente abertos, não que elas te provocassem à minha frente, não que fosses um porco nojento à procura de sexo extra, gratuito e fácil, não que fosses tu uma puta, não que fosses um ordinário, reles e baixo, mas só um poeta, um adorador do amor real e verdadeiro, um amante da sensualidade. Porque nos amávamos e o amor é lindo, porque confiávamos um no outro, cegamente. Ah, as frases inflamadas, as juras de amor eterno, de adolescente em filmes americanos, cheio de paixão e de modernismo, de como éramos um casal cosmopolita, de como sexo é liberdade e de como somos livres. Ah, usar calão no meio de referências cinéfilas. Ah, o verbo foder no meio de uma citação de Stendhal ou agarrares-me os cabelos por trás com força e chamares-me de puta só porque vimos o Marlon Brando usar manteiga e isso é lindo e poético e sensual e romântico. Ah, vires-te dentro de mim enquanto pensas abertamente noutra mulher porque isso é liberdade e o amor é liberdade e o sexo é liberdade e morderes-me a ponta da orelha enquanto me tocas é liberdade.

E assim o jantar. Tudo programado e eu sem desconfiar de nada. O meu melhor vestido, também o mais curto, apenas porque me disseste para me arranjar sensualmente, porque me querias comer essa noite. A mim, porque me querias a mim, nas tuas palavras. Passei a minha tarde a preparar o meu corpo, com cremes que deixariam o teu corpo escorregar pelo meu, e com um baton que te deixaria marcado pelo corpo fora. Uma cinta de ligas eternamente adiada, uma roupa interior nova, o sonho de uma noite a dois, um sexo fora da rotina com que normalmente me fodias, como um carro que engrena na mesma rotação de sempre, como um trabalhador mecanizado que agarra o meu trabalho com a mesma mecanicidade de sempre, no seu modo fordiano de trabalho, sempre em esforço, numa questão de produtividade, com sons falsos e gemidos que já conhecia.

E o vinho a escorrer-me, ora pelo corpo, ora pelos lábios, como se fosses tu o vinho, como se fossem as tuas mãos de antigamente o vinho, como se fossem os teus lábios aquele vinho que bebia e que às vezes deixava provocativamente escorrer pelo canto do lábio, como se fosse o teu esperma e te tivesse feito vir na minha boca ali, na mesa de um restaurante caro, com pessoas à nossa volta, e eu a julgar que estávamos só os dois, que era sexo puro o jantar que tinhamos.

E de repente, num continuo, eu nas tuas mãs, nós num taxi, nós num quarto de hotel com veludo e cetim e o meu corpo cada vez mais nu e cada vez mais escorregadio e tu a um canto, totalmente vestido, a olhar-me enquanto em despias e sem uma palavra. Espera, disseste-me. E desapareceste. E na minha cabeça mil fantasias contigo. Tu nu, tu a apareceres-me em robes também eles de cetim e veludo, talvez pretos, talvez erecto, talvez a possuir-me, talvez a dizer-me ao ouvido que a vida seria para sempre assim, feita desta paixão, feita deste querer, deste sexo que não existia para mais ninguém senão para nós.

E uma mulher pela tua mão, loira, de saltos altos, de cabedal, como nos filmes, com os lábios demasiado pintados de vermelho, a chegar-se à nossa cama de casal improvisada, a pôr a sua bota de cano alto na nossa cama, junto ao meu corpo (e eu cada vez mais pequenina, cada vez a saber menos do que se passava a minha volta).

E quis levantar-me e quis sair e quis fugir e tu sabes como quis isto tudo. Ah, mas o mistério do sexo é maior que o mistério do amor e só ao sexo tudo é permitido. Porque tu és assim, talvez como todos os homens, talvez só disfarces menos, talvez seja eu que estou apenas mais atenta, mas tu és assim. Só o mistério do sexo te satisfaz, só a ele és fiel, só ele te consome.

Sentaste-te de novo na chaise-longue que tinhas reservado para ti e mandaste , ordenaste, disseste com um ar autoritário que nos tocássemos. Ela despiu-me, e beijou-me o pescoço e beijou-me os ombros e lambeu-me o peito e tocou-me nas mamas e continuou a beijar-me a barriga e depois a barriga das pernas e depois no meio destas e eu nada. Nada de prazer, só o ver a tua cara ao longe, sedento de mais, como se visses apenas mais um filme porno no computador, desses que finjo que não sei que os vês quando estou fora. Apenas um prazer na tua cara, como se eu não fosse eu e ali apenas duas mulheres a tocarem-se. Mas eu gemia, não de prazer, mas para que tu tivesses prazer e deixei-me ser tocada e deixei-me despir, ser lambida, ser violada por outra mulher que, muito profissionalmente e sem razão nenhuma, gemia também, cada vez mais alto, só de me chupar para tu veres, como se de me chupar ela pudesse ter algum prazer, seu idiota.

E isto durou uma hora, em que ela se deixava violar por dinheiro e eu me deixava violar por te amar, para te satisfazer, embora me sentisse nojenta, embora o meu corpo bêbado só aguentasse aquilo por saber que era a tua fantasia, e talvez me amasses mais depois disso, talvez tu me penetrasses como nunca depois disto tudo.

Levantaste-te, caminhaste até mim trémulo e paraste à minha frente, eu de joelhos e tu de pé. Antes de me dares uma chapada. E de me chamares de puta, rameira, porca, deslavada, fácil, chupa-pilas, saca-broches, tudo. Antes de me mandares com umas notas para a cara, pegares no casaco e saíres porta fora, batendo com a porta.

A mim? Puta, eu? Porca eu? Dinheiro a mim?

Tu que durante anos estragaste tudo o que tinhamos a olhar como o rabo de uma mulher no metro vincava as suas calsas justas, tu que repetias o amor em frases longas mas piscavas o olho nas minhas costas a qualquer secretária de balcão a quem conseguisses ver a cor do soutien por dentro do seu decote, tu que ficavas em longas noites fora em supostas reuniões mas que frequentavas e flirtavas e rias e embebedavas outras mulheres, só pela fantasia de puderes ter outra.

Ah, o mistério do sexo. Só esse existe para os homens, só o tesão de serem homens e andarem de pau feito, como se fossem capazes de foder o mundo inteiro numa vida.

Hei-de matar o teu sexo, homem, hei-de matar o teu sexo e morrerás às mãos de um mulher, como qualquer homem devia.

The passionate state of mind

We can see through others only when we see through ourselves.  Lack of self-awareness renders us transparent; a soul that knows itself is op...